ANSIEDADE: o que é, transtornos, fatores de risco e tratamento

Se você chegou até aqui é porque provavelmente sofre ou conhece alguém que sofra com a ansiedade.

É importante notar que medo, estresse e ansiedade são sentimentos normais, sentidos por todos os seres humanos. E, muito mais do que isso, eles são importantes ferramentas evolutivas que permitem nossa sobrevivência quando nos defrontamos com condições adversas.

Muitos momentos em que temos sentimentos de estresse ou ansiedade fazem parte da vida de todo o ser humano. Preocupar-se ou ficar inquieto antes de eventos importantes, como um novo trabalho; questões financeiras; medo antes de falar em público. Tudo isso constitui sentimentos e situações que todos passam durante a vida.

Mas, se tudo isso é normal, por que hoje em dia tanta atenção é dada para o estresse e ansiedade?

A resposta é simples, porém esconde a complexidade de sentimentos que um indivíduo com esses problemas tem que enfrentar durante sua vida. O estresse e ansiedade começar a ser vistos como um problema a partir do momento que começam a interferir na qualidade de vida de uma pessoa, tornando-se assim uma condição clínica, que, além dos sintomas psicológicos, começam a ter reflexos também na condição física.

Neste e no próximo texto que será postado aqui no blog, vamos discutir mais profundamente questões relacionadas à ansiedade e ao estresse. Começaremos discutindo sobre a ansiedade.

ansiedade

Ansiedade

De acordo com a Associação Psicológica Americana, a ansiedade é “uma emoção caracterizada por sentimento de tensão, pensamentos preocupados e mudanças físicas como aumento na pressão sanguínea”. Como você verá a seguir, não existe um único tipo de ansiedade e ela apresenta muitas vezes diferentes consequências e sentimentos para que tem que conviver com esse problema.

“Tipos” de ansiedade – os Transtornos de Ansiedade

Ansiedade não é uma questão simples. São vários os transtornos de ansiedade existentes, cada um com uma especificidade e afetando a vida de uma pessoa de maneira mais ou menos severa. Assim, analisaremos agora alguns tipos de transtornos de ansiedade, suas causas e consequências.

Mas, antes de começar, faz-se necessário responder a seguinte questão: o que é um transtorno?

Um transtorno pode ser entendido como uma alteração no estado de saúde de uma pessoa que, contudo, nem sempre está ligado a algum tipo de doença. Por isso, um transtorno está intimamente relacionado ao conceito de saúde mental.

No caso de um transtorno de ansiedade, a condição é mais intensa, duradoura e pode ocorrer com ou sem um motivo específico.

Transtorno de ansiedade generalizada (TAG)

O transtorno de ansiedade generalizada (TAG) diferencia-se da depressão por não possuir características autoacusatórias e/ou melancólicas. “Trata-se de uma ansiedade ou angústia que se descreve como medo generalizado, um “medo do medo”, iminência constante de algo ruim que nunca chega a acontecer, mas faz a pessoa ficar hipervigilante o tempo todo. Não tem objeto ou foco preciso, como medo excessivo de doenças ou de voar […].” (SERSON, 2016).

Sintomas do Transtorno de Ansiedade Generalizada

  • Dificuldade em controlar os pensamentos e sentimentos relacionados à preocupação;
  • Inquietação;
  • Fadiga;
  • Concentração prejudicada;
  • Irritabilidade;
  • Dificuldade de dormir ou continuar dormindo;
  • Algumas vezes os sintomas físicos podem ser náusea ou diarreia.

Transtorno do Pânico

O transtorno do pânico é uma forma de ansiedade que se caracteriza por ser uma ansiedade de início repentino, sem um fator externo desencadeante e que se apresenta de maneira avassaladora.

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A pessoa que tem uma crise de pânico sente uma angústia terrível, incontrolável e aterradora. Quando não tratada, a síndrome do pânico pode voltar a se repetir e essa repetição pode criar uma propensão para o aparecimento de fobias, geralmente ligadas ao contexto em que a crise se desencadeou. Por exemplo, uma pessoa que tem uma crise do pânico em um transporte público pode adquirir um medo clínico de entrar em um ônibus ou metrô, pois esses ambientes ficam marcados como locais de grande terror.

Sintomas físicos e psicológicos do transtorno do pânico

  • Coração acelerado;
  • Sentimento de fraqueza;
  • Sentimento de fraqueza;
  • Tontura;
  • Mãos formigando ou dormentes;
  • Sentimento de irrealidade.
  • Sentimento de perda de controle. “Eu estou perdendo a cabeça”;
  • Medo de morrer.

Fobias

Diferentemente do transtorno de ansiedade generalizada, as fobias apresentam um foco preciso. Ela pode ser definida como um medo irracional, incontrolável e exagerado a alguma coisa ou situação.

Tipos de fobia

Abaixo, você pode encontrar as características de alguns tipos de fobia:

  • Fobia social: esse tipo de fobia é caracterizado por “uma ansiedade antecipatória e reativa diante de situações de interagir com outras pessoas: escrever, falar em público, comer, flertar. É como se fosse uma timidez patológica; a pessoa pode suar em bicas e sentir-se desmaiando ao dar uma palestra ou olhar um rapaz” (SERSON, 2016).
  • Agorafobia: é um medo excessivo (muitas vezes causado por antecipação) relacionado a situações em que a saída de determinado local pode ser difícil ou não há alguém que possa ajudar caso um ataque de pânico ocorra.
  • Claustrofobia: medo de permanecer em locais fechados como, por exemplo, aviões ou elevadores.

 

Transtorno Obsessivo-compulsivo (TOC)

Por ser amplamente utilizada, a sigla TOC, que designa o transtorno obsessivo-compulsivo, caiu no uso comum. Isso faz com que todos tenham pelo menos uma breve noção desse transtorno, a pesar desse conhecimento ser baseado no senso comum. O transtorno obsessivo-compulsivo é caracterizado por pensamentos e/ou comportamentos que se dão de maneira repetitiva ao extremo.

As pessoas com TOC podem, muitas vezes, desenvolver rituais como uma maneira de lidar com a condição. É importante destacar que o transtorno obsessivo-compulsivo faz parte de um diagnóstico, não sendo um simples traço de personalidade, como pessoas que gostam de manter a casa bem organizada.

Sintomas do TOC

  • Imagens e pensamentos intrusivos e repetitivos que causam ansiedade;
  • Devotar mais de uma hora por dia a obsessões e/ou compulsões;
  • Desenvolver angústia por causa das obsessões/compulsões;
  • Interferência da obsessão ou compulsão no trabalho ou em interações sociais.

 

Outros tipos de transtornos de ansiedade

  • Transtorno dismórfico corporal: foco exacerbado em algum defeito que a pessoa julga ter na própria aparência.
  • Tricolomania: distúrbio no qual as pessoas arrancam seus cabelos para controlar a ansiedade.
  • Transtorno de acumulação compulsiva: a pessoa que sofre desse transtorno possui grande dificuldade de se desfazer de objetos de sua posse. Isso faz com que esses objetos se acumulem de maneira descontrolada e desorganizada, prejudicando a pessoa que sofre do problema e também seus familiares e próximos.
  • Transtorno de ansiedade de separação: distúrbio que se dá em crianças que, na ausência dos pais, ficam excessivamente nervosas e ansiosas.

Estresse e ansiedade: como combater?

Abaixo, reunimos algumas dicas que podem ajudar você a combater o estresse e ansiedade.

  • Aumente sua ingestão diária de chás cujo princípio ativo seja ervas que ajudam a acalmar, como camomila, erva-doce e maracujá;
  • Alimente-se bem e evite comer comidas gordurosas ou com muita quantidade de açúcar;
  • Não fume. Lembre-se que a ideia de que o cigarro ajuda a acalmar e relaxar é apenas um mito. O cigarro não apenas aumenta o estresse e a ansiedade, como também faz muito mal para a saúde. Por mais que muitas pessoas considerem difícil parar, lembre-se que a nicotina é eliminada completamente do corpo com apenas duas semanas. Após esse período, procure manter-se ocupado para lidar com a dependência psicológica. Uma vida sem cigarro significa mais energia, estresse e ansiedade reduzidos e, principalmente, a liberdade de um vício danoso e que não trás nenhum benefício para você;
  • Ioga e meditação são duas práticas muito recomendadas para quem quer aprender a controlar o estresse e a ansiedade e ter uma maior qualidade de vida;
  • Ao menos tente fazer o que você gosta. Ter um momento de ócio dedicado às tarefas que você ama possui resultados surpreendentes. Você estará se sentindo muito melhor após praticar algum hobby.
  • Não se isole e busque situações em que você se sinta confortável. Reunião com familiares mais próximos ou se encontrar com amigos pode ser uma solução ideal. Porém, tenha cuidado com o álcool. Procure evita-lo ou sempre consumi-lo de maneira responsável.
  • Evite passar muito tempo online em redes sociais. Pesquisas e experts na área apontam que as redes sociais podem aumentar o nível de estresse e ansiedade de seus usuários. Isso se dá basicamente de três formas: 1) Medo de falha pessoal por meio de comparação com a vida de outros usuários; 2)medo de perder reuniões sociais. Além disso, um estudo da Universidade de Chicago concluiu que as redes sociais podem ser mais viciantes que cigarros¹.
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Fatores de risco

Pesquisas sugerem que fatores genéticos, geralmente aliados e interagindo com fatores ambientais, apresentam-se como fatores de risco para o surgimento de um transtorno de ansiedade. Fatores específicos incluem:

  • Timidez ou inibição comportamental na infância;
  • Ser mulher;
  • Possuir poucos recursos econômicos;
  • Ser divorciado ou viúvo;
  • Exposição a eventos estressantes, tanto na infância como na vida adulta;
  • Histórico de transtornos mentais na família;
  • Níveis elevados de cortisol na saliva durante o período da tarde (especificamente para os casos de transtornos de ansiedade sociais).

Tratamento para a ansiedade

Em alguns casos mais severos se faz necessária a intervenção de um profissional de saúde mental. O tratamento para a ansiedade geralmente alia o tratamento clínico por meio de remédios e psicoterapia.

Figura 1: relação mente-cérebro

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Fonte: Serson, 2016.

Referências

SERSON, Breno. Transtornos de ansiedade, estresse e depressão [recurso eletrônico]: conhecer e tratar. São Paulo: MG editores, 2016.

THIER, Dave. Facebook more addictive than cigarettes, study says. Forbes. 3 de fevereiro de 2012. Disponível em: <CLIQUE AQUI>. Acesso em 14 fev 2018.

Sobre os sintomas dos diferentes tipos de transtorna, a referência consultado foi: LOTT, Anigail; STENSON, Anaïs. Types of Anxiety. Anxiety.org. Disponível em: <CLIQUE AQUI>. Acesso em 14 fev 2017.

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