Suicídio: avaliação de risco, mitos e fatos e tratamento midiático

O primeiro registro escrito sobre suicídio foi encontrado no Egito e data do Primeiro Período Intermediário (2280-2000 a.C.)¹. Encontrado em um papiro, o escrito foi intitulado Uma Disputa sobre Suicídio (também é conhecido como O Diálogo de um Misantropo com Sua Própria Alma).

Isso prova que essa questão que assola há humanidade há milênios.

De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), 800.000 pessoas morrem por ano devido ao suicídio.

Avaliação do Risco

Alguns relatos comuns de pessoas com pensamentos suicidas podem ser:

  • Eu ando pensando besteira.
  • Acho que minha família ficaria melhor se eu não estivesse aqui.
  • Eu sou um peso para os outros.
  • Estou com pensamentos ruins.
  • Era melhor que eu estivesse morto.
  • Eu não aguento mais.
  • As coisas não vão dar certo. Não vejo saída.
  • Eu preferiria estar morto.

De acordo com um guia produzido pela Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro, “dizer que a pessoa ‘não deveria pensar assim pois é tão interessante, tão bela, tão inteligente, com emprego, com filhos tão lindos, com fé, tão rica, etc…’ não costuma ajudá-la. É preciso compreender o projeto de suicídio como um fato. Resulta de um conflito interior sério, que pode ser prolongado e até mesmo insolúvel. A pessoa fica fechada a conselhos e este tipo de atitude pretensamente confortadora frequentemente é interpretada pelo
paciente como despreparo do interlocutor, que não compreenderia as forças com que tenta lidar e não se sentiria confortável com a gravidade da situação. […]”.

Mitos e fatos sobre o suicídio

A Organização mundial da Saúde (2017) elencou os principais mitos e fatos sobre o suicídio. No quadro abaixo, você pode encontrar essas informações.

Mitos e fatos sobre o suicídio

MitosFatos
Falar sobre suicídio é uma má ideia e pode ser interpretado como encorajamento. Como há um grande estigma em torno do suicídio, a maioria das pessoas que contemplam tirar a própria vida não sabe com quem falar. Ao contrário de encorajar o comportamento suicida, falar abertamente pode oferecer outras opções ou tempo de repensar a decisão, prevenindo assim o suicídio.
Pessoas que falam sobre suicídio não tem intenção de cometê-lo.Pessoas que falam sobre suicídio podem estar buscando ajuda ou suporte. Muitas vezes, elas sentem que não há outra opção.
Quem é suicida está determinado a morrer.Pelo contrário. Pessoas suicidas são geralmente ambivalentes sobre viver ou morrer. Suporte emocional no momento certo pode ajudar a prevenir o suicídio.
A maioria dos suicídios ocorre de maneira inesperada e sem aviso. A maioria dos suicídios acaba sendo precedidos de sinais de alerta, sejam eles verbais ou comportamentais.
Uma vez que alguém é suicida, ele sempre será suicida.Risco aumentado de suicídio é geralmente de curto prazo e específico para a situação. Mesmo que pensamentos suicidas possam retornar, eles não são permanentes e uma pessoa que já teve esses pensamentos ou até mesmo tentativas de suicídio podem vivem uma vida longa.
Apenas pessoas com transtornos mentais são suicidas.Comportamento suicida indica tristeza profunda, mas não necessariamente um transtorno mental. Muitas pessoas que vivem com transtornos mentais não são afetadas por comportamentos suicidas e nem todas as pessoas que tiram a própria vida sofrem de um transtorno mental.
O comportamento suicida é fácil de ser explicado.Suicídios nunca é o resultado de um único fator ou evento. Esses fatores geralmente são múltiplos e complexos e não devem ser tratados de maneira simplista. Quase sempre, pode ser equivocado atribuir um suicídio a um evento específico como, por exemplo, o término de um relacionamento.
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Fonte: adaptado de Organização Mundial da Saúde.

Você acha que sua vida não vale a pena ser vivida?

O que você pode estar sentindo ou pensandoO que você precisa se lembrar O que você pode fazer
- A dor que você sente parece esmagadora e insuportável.
- Você se sente sem esperanças, como se não houvesse ponto em viver.
- Você fica consumido com pensamentos negativos e perturbadores.
-Você não consegue imaginar nenhuma outra solução para o seu problema que não o suicídio.
- Você imagina a morte como um alívio.
- Você acha que todos estariam melhor sem você.
- Você se sente sem valor.
- Você se sente sozinho mesmo quando está com a família e os amigos.
- Você não compreende porque está se sentindo ou pensando desta forma.
- Você não está sozinho. Muitas outras pessoas já passaram pelo o que você está passando e estão vivas hoje.
- Está tudo bem falar sobre suicídio. Isso pode ajudar você se sentir melhor.
- Ter um episódio de autoagressão, pensamentos suicidas ou planos suicidas é sinal de uma severa angústia emocional. Você não é culpad@ e isso pode acontecer com qualquer um.
- Você pode melhorar.
- Há pessoas que podem te ajudar.
- Converse com um membro de confiança da sua família, um amigo ou colega sobre como você se sente.
- Se você acha que está em perigo iminente de fazer mal a si mesmo, entre em contato com serviços de emergência ou com uma linha de ajuda.
- Converse com um profissional, como um médico ou profissional de saúde mental.
- Se você é praticante de alguma religião, converse com alguém de sua comunidade.
- Faça parte de um grupo de autoajuda ou de suporte para pessoas que praticaram autoagressão. Vocês podem se ajudar uns aos outros.
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Fonte: adaptado de Organização Mundial da Saúde.

O suicídio na mídia

A Organização Mundial da Saúde (OMS) possui um guia para os profissionais de mídia sobre como abordar o tema de maneira responsável. Entre os parâmetros utilizados pela Organização encontram-se:

O que fazer ao reportar um suicídio na mídia:

  • Prover informação acurada sobre onde encontrar ajuda;
  • Educar o público sobre os fatos do suicídio e da prevenção ao suicídio sem espalhar mitos;
  • Publicar informações sobre como lidar com situações estressantes ou pensamentos suicidas e como conseguir ajuda.
  • Tomar cuidado particular ao entrevistar membros da família ou amigos enlutados;
  • Reconhecer que profissionais da mídia também podem ser afetados por história de suicídio.

O que NÃO fazer ao reportar um suicídio na mídia

  • Não coloque histórias sobe suicídio em destaque e não repita excessivamente esse tipo de histórias;
  • Não utilize uma linguagem que sensacionalize ou normalize o suicídio, ou mostre ele como uma solução construtiva para problemas;
  • Não descreva explicitamente o método utilizado;
  • Não ofereça detalhes sobre o local;
  • Não utilize manchetes sensacionalistas;
  • Não utilize fotos, vídeos ou links para mídias sociais.

Caso você encontre alguma notícia que fuja dos padrões acima mencionados ou que você pense que não divulgam o ocorrido de maneira responsável, não deixe de entrar em contato com o veículo de comunicação. O suicídio é um tema muito delicado e que deve ser tratado de maneira séria, ponderada e prudente.

 

No fim, é necessário mais coragem para viver do que para se matar- Albert Camus

Suicídio é uma solução permanente para um problema temporário – Phil Donahue

suicídio

Se você necessita de ajuda imediata e quer falar com alguém, ligue para o número 144 – Centro de Valorização da vida.

Referências

¹ EVANS, Glen; Farberow, Normal L. The Encyclopedia of Suicide. 2ed. Nova Iorque: Facts on Fole, Inc, 2003.

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Preventing Suicide: a resource for media professionals, update 2017. Suíça: World Health Organization, 2017. Disponível em: <CLIQUE AQUI>. Acesso em 03 jan 2018.

SECRETÁRIA MUNICIPAL DE SAÚDE /RIO DE JANEIRO. Coleção guia de referência rápida: Avaliação do risco de suicídio e sua prevenção. Rio de Janeiro: SMJ/RJ, 2016. Disponível em: <CLIQUE AQUI>. Acesso em 7 jan. 2018

 

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