Transtorno Bipolar: o drama de cada um

Uma menina descoberta por Mario Testino na praia, garota-propaganda da Chanel, protagonista de novela das 9, estrela de rock. Uma criança que perdeu o pai de FORMA TRÁGICA, viu a tia e a prima sofrerem com a aids, gastou o patrimônio em uma crise de pânico e foi diagnosticada como bipolar grave. Dependendo do ponto de vista, a história de Mayana Moura pode ser a da Cinderela ou a da Gata Borralheira. Em uma entrevista corajosa, em que destaca o sofrimento e o preconceito ligados aos transtornos psiquiátricos, a atriz conta como conseguiu superar a crise que quase a matou, para retomar as rédeas de sua trajetória e se tornar, novamente, um nome proeminente da teledramaturgia brasileira

Quatro vezes. Esse foi o número de internações em hospitais psiquiátricos pelo qual Mayana Moura precisou passar para entender, depois de várias crises de mania e depressão, que é bipolar. E do tipo mais grave. Da última reclusão até hoje transcorreu pouco mais de um ano. Nesse meio-tempo, ela aceitou se medicar, fez terapia, reaproximou-se da mãe, voltou a morar no Brasil depois de dois anos nos Estados Unidos e mergulhou no trabalho. Após um hiato fora da TV, voltou à Globo como uma cantora de ópera na novela das 6, Tempo de Amar. E concordou corajosamente em falar sobre sua história à Marie Claire, em uma negociação que levou meses, por um motivo nobre: jogar luz sobre uma doença envolta em preconceitos e ignorância.

“Não queria ser bipolar de jeito nenhum. Tive muita dificuldade em aceitar o diagnóstico”, contou uma serena Maya­na em um encontro de quatro horas no mês passado, no Rio. Estava decidida a falar, embora reconheça que tenha pensado várias vezes em desistir. “Há um grande estigma em torno do paciente. De que não possa ser funcional de novo, tanto no ambiente profissional quanto no pessoal. Existe muita incompreensão em torno da doença, por isso prefiro seu nome ‘antigo’, psicose maníaco-depressiva”, afirma. O transtorno afetivo bipolar tem várias intensidades e se caracteriza por oscilações drásticas de humor: mania (euforia) e depressão. No caso mais grave, como o de Maya­na, a internação é importante, para evitar complicações maiores e risco à própria vida e à dos outros.

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“Sou a prova viva de que, com o tratamento certo e apoio de quem nos ama, é perfeitamente possível se recuperar. O que aconteceu comigo não define o que sou.” Diretor artístico da novela, Jayme Monjardim concorda. E vai além: “Trabalhar com ela novamente está sendo uma experiência linda, tanto quanto foi em O Tempo e o Vento (2014). Mayana é um dos grandes talentos de sua geração, uma atriz incrível”.

Confira a entrevista completa com a atriz Mayana Moura 

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